
“Estou confiante para o próximo plantio”, afirmou Luciano Borges, produtor rural há 2 anos, ao encerrar o Dia Técnico da Mandioca, que aconteceu na manhã desta terça-feira, 03 na Fazendinha do Calor Humano, em Palmas. O evento foi promovido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (Seder) Seder em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e reuniu produtores locais e alunos de instituições de ensino agrícola, como a Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Ulbra e Uninassau.
O primeiro palestrante do dia foi o técnico e representante da Seder, Luiz da Silva Machado Neto, que trouxe um panorama sobre o cultivo da mandioca no Brasil, no estado do Tocantins e em Palmas. “No Brasil, a produção atinge a marca de 17,5 milhões de toneladas, enquanto no Tocantins são produzidas 260 mil toneladas e em Palmas, 1200 toneladas.
Machado Neto elencou os principais passos para o sucesso da produção, como a escolha adequada da área de cultivo, evitando solo mal drenado e com declive acentuado, e a importância da análise físico-química do solo para uma correta calagem e adubação. Ele também destacou as técnicas de conservação do solo e a assistência técnica oferecida pela Seder aos pequenos produtores, incluindo o fornecimento de transporte do calcário.
O manejo de plantas daninhas na cultura da mandioca foi outro tema relevante abordado durante o evento. O Dr. Valdinei Sofiatti, pesquisador da Embrapa Algodão, alertou sobre os riscos das ervas daninhas, que podem reduzir a produtividade em até 90%. Ele ressaltou a importância do controle adequado, principalmente nos primeiros 100 dias de cultivo. Uma vez que é só após os três meses que a muda atinge uma altura adequada a ponto de dificultar a irradiação de luz solar à sua volta, e assim impedir o crescimento das ervas daninhas. Sofiatti apresentou diferentes tipos de herbicidas no mercado e enfatizou a aplicação adequada, destacando que o controle químico é mais econômico do que o controle mecânico com enxada. Além disso, demonstrou uma tecnologia acessível ao pequeno produtor, como a carreola: um carrinho pulverizador, para aplicar herbicida.
O produtor rural e também estudante de engenharia agronômica, Washington Martins, encerrou o dia com uma palestra sobre os desafios e oportunidades na produção e comercialização da mandioca. Ele abordou temas como planejamento, investimento, produção ao longo do ano, mão de obra qualificada e destacou a facilidade de produção da mandioca, a disponibilidade de tecnologia e a assistência técnica gratuita, a exemplo da Seder. Martins trouxe dados impressionantes sobre o consumo de mandioca em Palmas, ressaltando a boa comercialização do produto.
“Segundo dados do último censo, Palmas possui 310 habitantes, fazendo um comparativo que uma pessoa consome em média 30 caixas de mandioca por ano, ou seja, os palmenses consomem por dia 850 caixas de mandioca e de seus derivados”, com isso, ele quis exemplificar que nesse segmento ainda há espaço para todos. “A caixa de mandioca, sem descascar, está por volta de R$ 70”, acrescentou.
Para o produtor Luciano Borges o evento trouxe confiança para seu próximo plantio, após enfrentar perdas significativas, principalmente devido às ervas daninhas. Ele planeja seguir as orientações recebidas sobre o uso adequado de herbicidas e está otimista com sua propriedade rural de quatro hectares, localizada a 16 quilômetros do centro.
Águida Alves Viana, aluna do 2º período de Engenharia Agronômica na IFTO, destacou a experiência enriquecedora do Dia Técnico da Mandioca, que proporcionou a integração do aprendizado teórico com a prática, enriquecendo sua formação acadêmica. Este evento demonstrou mais uma vez a importância do compartilhamento de conhecimento e da capacitação técnica para impulsionar a produção agrícola e o desenvolvimento rural. “Um dia de campo assim, nós temos muito mais aprendizado e na prática, porque conversamos com o produtor, o profissional da área. A gente complementa o conhecimento teórico.”
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