
A liberação para a coleta das hastes do capim-dourado começa nesta quarta-feira, 20, e segue até o dia 30 de novembro. O período é regulamentado pela Lei n° 3.594 de 2019, que institui a Política Estadual de Uso Sustentável do Capim-Dourado e do Buriti. Para celebrar a ocasião, a Comunidade Quilombola Mumbuca promoveu, entre os dias 15 e 17 de setembro, a Festa da Colheita.
Durante o evento, o presidente do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Renato Jayme, entregou 53 licenças de autorização para coleta, manejo e transporte da espécie. Foram 35 licenças para a Comunidade Quilombola Mumbuca e 18 para a Boa Esperança. As demais carteirinhas requeridas pelas associações serão entregues posteriormente pelas equipes da instituição.
Na oportunidade, o presidente do Naturatins expressou sua satisfação em realizar a entrega de um documento tão importante para as famílias envolvidas na cadeia produtiva do capim-dourado. “A licença é fundamental, dada a sua importância para a subsistência de famílias de artesãos. É uma forma de evitar a coleta ilegal, reduzir a biopirataria e assegurar a preservação da espécie, garantindo assim, uma condição de sustentabilidade econômica e social para as comunidades tradicionais, originárias e todos os envolvidos nessa cadeira de produção”, destacou.
Realizada pela Associação da Comunidade Quilombola Mumbuca há mais de dez anos, a festa contou com o apoio do Governo do Tocantins e de diversos parceiros. Para a presidente da Associação, Railane Ribeiro da Silva, é um momento de agradecer a Deus e também o apoio de todos os envolvidos. “A festa é uma forma de gratidão, uma celebração a Deus pela coleta do capim-dourado, que logo se aproxima. Por cada pessoa e instituição que aqui está nos ajudando, por meio desse evento, a manter viva nossa história e preservar a nossa cultura”, ressaltou.
Desfile
A programação da noite de sábado, 16, foi marcada pelo momento em que crianças, adolescentes e adultos desfilaram com peças de capim-dourado confeccionadas pelas artesãs locais, revelando a riqueza cultural de uma história de luta e resiliência, que transcende fronteiras e transformou a vida de cada comunidade, por meio do artesanato.
“Nosso trabalho, hoje, é conhecido mundo afora. Para mim, isso é motivo de muita alegria, porque o capim-dourado faz parte da nossa cultura, nosso modo de viver. É a nossa vida, nossa alegria é pão na mesa. E essa festa representa a nossa luta para manter viva nossa história e a memória daqueles que deram início a tudo isso”, revelou Noemi Ribeiro, também conhecida como Doutora, ao lembrar de sua mãe, dona Miúda, precursora da arte do capim- dourado.
A matriarca também foi lembrada por sua neta, Railane Ribeiro. “É motivo de orgulho pertencer a esse povo e por ser neta de dona Miúda, que levou ao mundo o conhecimento da arte produzida a partir do capim-dourado”, destacou.
Composto por cinco modelos, o desfile de encerramento contou com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) na coleçãoOuro do Cerrado, assinada pelo estilista Luiz Fernando Carvalho e produzida pelas artesãs da comunidade Mumbuca. A programação do dia contou com cavalgada, jogos de futebol e oficinas.
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