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Curta apoiado pelo FAC é destaque em Berlim

Com equipe majoritariamente feminina e ambientação em Ceilândia e Lago Norte, "As Miçangas" aborda o tema do aborto

15/02/2023 às 19h00
Por: Redação Fonte: Agência Brasília
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SAULO MORENO
SAULO MORENO

O curta-metragem brasilienseAs Miçangas, dos diretores Rafaela Camargo e Emanuel Lavor, é destaque na programação de uma das mostras de cinema mais prestigiadas da Europa, a Berlinale, o Festival Internacional de Cinema de Berlim. A 73ª edição do evento ocorre entre os dias 16 e 26 de fevereiro e o projeto do DF tem estreia internacional dia 21. É a única produção da América Latina a participar do certame paralelo, Berlinale Shorts, dedicado apenas a filmes nesta categoria de narrativas enxutas. Com aporte de R$ 80 mil do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), o filme tem como tema assunto pertinente: o aborto.

Protagonizado pelas atrizes Tícia Ferraz e Pâmela Germano, “As Miçangas”mostra a trajetória de duas jovens que se recolhem para uma região remota, urdindo um pacto de vida e morte em silêncio | Foto: Divulgação
Protagonizado pelas atrizes Tícia Ferraz e Pâmela Germano, “As Miçangas”mostra a trajetória de duas jovens que se recolhem para uma região remota, urdindo um pacto de vida e morte em silêncio | Foto: Divulgação
“Essa conquista representa muita coisa pra nós! Na verdade, independentemente do resultado da competição, estar nesse festival com um filme brasiliense, realizado por uma equipe majoritariamente feminina, com protagonistas mulheres e que fala sobre o aborto, já é uma vitória”Tícia Ferraz, atriz deAs Miçangas

“É maravilhoso estar representando o Brasil em um dos maiores festivais de cinema do mundo. Estamos concorrendo ao Urso de Ouro, e a possibilidade de vencer essa competição nos deixa com borboletas no estômago”, diz, animada, a atriz Tícia Ferraz, uma das protagonistas da trama com quase 20 minutos. “Essa conquista representa muita coisa pra nós! Na verdade, independentemente do resultado da competição, estar nesse festival com um filme brasiliense, realizado por uma equipe majoritariamente feminina, com protagonistas mulheres e que fala sobre o aborto, já é uma vitória”, festeja.

Com trama abordando fortes questões femininas,As Miçangastraz, do elenco a boa parte da equipe técnica – que envolve câmera, assistente de câmera, montagem, figurinos, som, música e produção -, a figura onipresente da mulher em história que fala sobre respeito, cumplicidade e irmandade entre duas mulheres.

Ambientado no cerrado, com cenas rodadas em Ceilândia e Núcleo Rural Taquari (Lago Norte), o projeto, protagonizado pelas atrizes Tícia Ferraz e Pâmela Germano, flerta com o surreal ao mostrar a trajetória de duas jovens que se recolhem para uma região remota, urdindo um pacto de vida e morte em silêncio. Uma delas é submetida a um aborto, enquanto cabe à outra cuidar da parceira de forma devota. Uma serpente viscosa, pesada e lenta, é cúmplice desse parto prematuro às escondidas.

“O FAC é o ente essencial, primordial e fundador deste projeto. Foi a partir do FAC que essa equipe se montou, que a gente teve motivação para executar esse projeto”Rafaela Camargo, diretora deAs Miçangas

As Miçangasé pra mim um filme ao mesmo tempo realista e fantasioso. Existe um encantamento e uma simplicidade que habita em todas as cenas nessa abordagem naturalista do aborto”, observa a atriz Tícia Ferraz.

Importância do FAC

Para a diretora Rafaela Camargo, o apoio do FAC foi imprescindível para que o projeto alcançasse voo tão longe. “O FAC é o ente essencial, primordial e fundador deste projeto. Foi a partir do FAC que essa equipe se montou, que a gente teve motivação para executar esse projeto”, agradece.

O título do filme, segundo a cineasta, é uma referência à maneira com que o medicamento utilizado no procedimento do aborto chega até as mulheres, que é em um saco de miçangas. “O filme trata com muita sutileza e delicadeza essa pauta do aborto”, reforça a também diretora do premiado curtaA Arte de Andar Pelas Ruas de Brasília.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil mulheres praticam abortos todos os anos no Brasil. Desse montante, pelo menos 200 mil recorrem ao SUS para tratar as sequelas de procedimentos mal feitos. “É um tema que, por si só, levanta muitas questões. É uma temática que já está posicionada como problema de saúde pública, não só no Brasil, mas, como em todo o mundo, é uma temática cotidiana, atual e atemporal”, destaca o codiretor Emanoel Lavor.

O curta brasiliense vai concorrer com produções de países como França, Inglaterra, Áustria, Estados Unidos, Espanha, Ucrânia, Estônia, Alemanha, China, Ruanda, Suíça e Austrália. O resultado da competição será divulgado em 25 de fevereiro.

*Com informações da Secec

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