
O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), iniciou, nesta quinta-feira, 28, as formações que antecedem a produção do material didático para as oito etnias tocantinenses: Apinajé, Awa-Canoeiro, Javaé, Karajá, Karajá-Xambioá, Krahô, Krahô-Kanela e Xerente. O evento ocorre até esta quinta-feira, 28, na Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), campus Graciosa, em Palmas.
A iniciativa, inédita, consiste na elaboração de material didático específico na língua materna de cada etnia. A ação integra o Programa de Fortalecimento da Educação Indígena (Profe Indígena) e atende a uma demanda histórica dos povos indígenas do Tocantins.
“Foram selecionados escritores de cada povo, professores com habilidades e experiência na escrita de material didático voltado para a cultura, a tradição e a língua materna. Eles desenvolverão textos relacionados ao modo de vida e aos componentes curriculares de língua indígena, saberes indígenas e cosmologia, que são as disciplinas específicas da educação escolar indígena na rede estadual. Temos, na formação, professores que já são doutores, mestres, que produziram diversos livros e que agora vêm somar nessa produção tão significativa”, destacou o diretor de Educação dos Povos Originários da Seduc, Amaré Gonçalves Brito.
Serão produzidos três volumes por povo, totalizando 24 livros, que contemplarão as culturas, tradições e línguas indígenas do Tocantins. O material atenderá estudantes do ensino fundamental, dos anos iniciais e finais; e do ensino médio.
Escritores
Os professores escritores foram selecionados por meio de processo seletivo e receberão bolsa-auxílio durante a produção do material. “Estamos vivendo um marco histórico na educação escolar indígena, trazendo as nossas narrativas para os materiais didáticos, na nossa própria língua, fortalecendo a nossa identidade cultural. Isso nos transforma como educadores, como indígenas e fortalece a nossa cultura ancestral”, enfatizou a professora Maria Aparecida Amnhàk Apinajé.
A educadora Jacira Brito Xerente ressaltou que a elaboração dos materiais será essencial para assegurar que os saberes indígenas sejam repassados às futuras gerações, o que antes era feito exclusivamente de forma oral. “É uma honra poder levar nossos conhecimentos, as histórias e as tradições que serão registradas em nossos livros. Então, a nossa oralidade, a partir de hoje, vai ser escrita para que todos possam, futuramente, conhecer a nossa identidade que está sendo registrada", pontuou a professora.
Educação escolar indígena
A educação indígena no Tocantins está presente em seis das 13 Superintendências Regionais de Educação (SREs): Gurupi, Pedro Afonso, Miracema, Paraíso do Tocantins, Tocantinópolis e Araguaína. A rede estadual conta com 96 escolas indígenas (além de 38 extensões) e mais de 600 professores, atendendo cerca de 6,3 mil estudantes pertencentes aos oito povos do estado.
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